Informática e Formação de Professores
O Livro da autora Elizabeth Bianconcini, apresenta uma análise relacionada às atividades de formação do professor em diferentes instituições. Apresenta ainda as diretrizes de uma teoria norteadora que possa orientar a formação de professores para o uso pedagógico do computador em quaisquer modalidades, seja nas escolas ou nas universidades.
Podemos destacar uma frase de Paulo Freire citada no livro que afirma a necessidade de sermos homens e mulheres de nosso tempo que empregam todos os recursos disponíveis para dar o grande salto que nossa Educação exige. Com a evolução da tecnologia e a mudança constante da sociedade, se faz necessário se ter criatividade, independência e sempre buscar se situar a realidade, diante das mudanças constantes.
O espaço educacional precisa ser visto de uma forma mais ampla, mais inovadora, e pra isso se faz necessário inserir essas novas tecnologias dentro desse espaço para situar seus alunos nesse mundo de constante evolução. No entanto esta ainda é uma questão a ser muito discutida, por envolver diversos fatores que são essenciais para a sua existência de fato na realidade.
A inserção da tecnologia nas escolas, além da estrutura e de equipamentos adequados, exige também a existência de profissionais capacitados, para orientar e ajudar seus alunos a utilizá-las de forma correta. Esta é uma dentre muitas dificuldades encontradas atualmente, pois nem mesmo o ensino básico possui as condições essenciais para que o ensino se realize na sua forma plena, além de muitas crianças não freqüentarem as escolas por terem uma vida muito humilde e simples tendo assim que trabalhar desde cedo para ajudar a sustentar sua família. E tudo isso vem acompanhado com a resistência de muitos professores, habituados a seus costumes antiquados e sem inovações, com o intuito apenas de repassar informações para o aluno, apenas acumular conhecimentos, sem uma visão crítica e inovadora.
A tecnologia não é tudo, ela não é simplesmente a solução para todos os problemas, deve-se também inovar nas formas de ensinar, e a tecnologia pode auxiliar essa mediação entre aluno-professor, proporcionando formas diferentes no modo de ensino para facilitar a aprendizagem e compreensão daquilo que se propõem em sala de aula, buscando uma visão mais além, bem como aplicações e transformações inovadoras deste aprendizado no mundo ao qual se este inserido, a fim de desenvolver o ensino em diferentes áreas do conhecimento através dos computadores.
Hoje o computador está acessível à maioria da população, mesmo quem não tem um em casa possui alternativas para se ter acesso a um computador como as Lan Houses, por exemplo, mais ainda assim o impacto das mudanças que poderia provocar ainda não aconteceu, suas aplicações para fins mais construtivos ainda se faz em pequena escala, seus recursos grandiosos e transformadores, por muitos ainda não foram descobertos, pois são utilizados muitas vezes para práticas de atos ilícitos, ou simplesmente para uma utilidade fútil. Este deve ser o papel do professor, não simplesmente expor informações, mais ensinar a forma correta de lidar com elas, inserir seus alunos as novas e tecnologias mostrando a forma correta e inteligente de utilizá-las, ajudando a transformar o indivíduo em um ser pensante, inovador, criativo e independente.
O processo ensino-aprendizagem precisar ser modificado deve-se enfatizar a aprendizagem ainda mais que o ensino, valorizar e proporcionar a construção do conhecimento e não a instrução. Mas este é um processo que não é fácil, a informática não deve ser simplesmente uma junção com a educação, mas sim a integração entre si e à prática pedagógica, uma mudança não só do professor mais do planejamento pedagógico da escola, bem como a mudança de pensamentos e diretrizes, favorecendo a formação de cidadãos mais críticos e independentes para a construção de seu próprio conhecimento, atingindo diretamente as mudanças de pensamentos e atitudes, construindo uma sociedade mais justa e com qualidade de vida. Para Paulo Freire, a pedagogia deve deixar espaço para o aluno construir seu próprio conhecimento, diferentemente do que há muito tempo se tem como prática, de apenas repassar conteúdos e conceitos já prontos.
A autora apresenta no livro diversas opiniões de diferentes estudiosos que acreditam ser preciso mudar radicalmente a atual modelagem da educação de tal forma que esta permita ao indivíduo compreender o mundo em que se encontra, juntamente com suas mudanças participando da transformação cultural contemporânea. Cada um desses estudiosos possui sua própria teoria, acompanhada de propostas solucionadoras que se interconectam, e cujo foco varia de acordo com a especialidade de cada um.
A utilização pedagógica do computador possibilita diversas alterações significativas na educação, proporcionando uma ampliação da visão educacional fazendo com que o ensino tenha uma dimensão muito maior, trazendo uma visão mais crítica e ampla do mundo ao qual se está inserido.
O desenvolvimento do trabalho da autora refere-se à segunda linha sobre o uso da informática em Educação, o construcionismo, que tem o objetivo de desenvolver o ensino pela informática. A primeira linha é a instrucionista, onde a aplicação pedagógica do computador foi planejada para ser utilizada como maquina de ensinar, aplicando o conceito de instrução programada, sem a associação das atividades computacionais as demais disciplinas. Esta primeira linha está preocupada em saber o quanto o aluno tem de conhecimento, sem se preocupar em desenvolver um pensamento crítico, onde o aluno tem suas próprias opiniões, procura-se avaliar na verdade o volume de informações que o aluno tem depositado em mente.
Já na abordagem construcionista, o computador é utilizado como uma ferramenta que auxilia o aluno na busca de informações redes de comunicação a distancia, seu conhecimento e seu interesse momentâneo.
Diferente do instrucionismo, que possui programas que avaliam a quantidade de informações que aluno possui em mente, o construcionismo tem informações que podem ser trabalhadas no desenvolvimento de programas elaborados em linguagem de programação, levando o aluno a refletir sobre o conhecimento que está sendo representado nos programas, “ensinando” ao computador a resolver o problema através de linhas de comando, descrevendo as operações necessárias. Sendo assim é o aluno que indica ao computador as operações que devem ser executadas para produzir as respostas desejadas.
Essa busca pela transformação na educação não é simplesmente o desejo de inserir a informática no plano pedagógico, mais sim uma mudança das práticas educacionais existentes, favorecendo a formação de cidadãos mais críticos, com autonomia para construir o próprio conhecimento.
Esta linha construcionista proporciona um ciclo de descrição-execução-refexão-depuração. Onde programar computadores significa descrever uma seqüência de ações para que o computador possa executar e fornecer uma resposta, que pode ser o esperado ou pode não corresponder ao esperado, onde neste caso há necessidade de se rever todo o processo de representação do problema. Isso promove o desenvolvimento de reflexões que procuram compreender as estratégias adotadas, os conceitos envolvidos, os erros cometidos e as formas possíveis de corrigi-los – o que leva o aluno a depurar o seu programa, e inserir-lhe novos conceitos ou estratégias. Após realizar as alterações na descrição do programa, ele é novamente executado e o ciclo se repete até atingir um resultado satisfatório.
Para que esse ciclo se processe, o professor precisa compreender a representação da solução do problema adotada pelo aluno. Assim, o professor ajuda-o a tomar consciência de suas dificuldades e a superá-las.
Este ciclo pode ser aplicado não só na programação de computadores, mais em sala de aula, onde o professor procura identificar o grau de compreensão dos alunos sobre os conceitos em estudo, propõe alterações nas ações inadequadas, cria situações mais propícias para o nível de seus alunos de modo a desafiá-los a atingir um novo patamar de desenvolvimento.
A autora do livro descreve em partes as propostas de alguns pesquisadores especialistas sobre o assunto.
AS BASES DA PROPOSTA DE PAPERT
Ao articular conceitos da inteligência artificial com a teoria Piagetiana, Papert propôs inicialmente uma metodologia, ou “filosofia”, e uma linguagem de programação Logo, que constituíram a abordagem construcionista.
O uso de computadores segundo os princípios construcionistas foi proposto por Seymour Papert (1985, 1994) com base nas idéias de diferentes pensadores contemporâneos – idéias que se interrelacionam, em um diálogo que as incorpora a um processo de descriçãoexecução-reflexão-depuração. Assim, Dewey, Freire, Piaget e Vygotsky se constituem nos principais inspiradores do pensamento de Papert (1994).
DEWEY: O MÉTODO POR DESCOBERTA
Dewey considerou a aquisição do saber como fruto da reconstrução da atividade humana a partir de um processo de reflexão sobre a experiência, continuamente repensada ou reconstruída. Toda experiência em desenvolvimento faz uso de experiências passadas e influi nas experiências futuras (Dewey, 1979: 17, 26).
Para Dewey, toda experiência humana é social e decorre de interações, onde estão envolvidas condições externas ou objetivas, e condições internas. A interação é decorrente do equilíbrio entre esses dois fatores. O professor precisa identificar situações que conduzam ao desenvolvimento.
A etapa de aplicação do método empírico denominada por Dewey de testagem evolui e assume em Papert a função de feedback, que permite ao aluno, obter uma noção de seu processo de desenvolvimento e não a sentença definitiva e final de avaliação para uma resposta certa ou errada.
O professor precisa conhecer os interesses, necessidades, capacidades e experiências anteriores dos alunos para propor planos cuja concepção resulte de um trabalho cooperativo realizado por todos os envolvidos no processo de aprendizagem. O desenvolvimento resulta de uma ação em parceria, onde alunos e professores aprendem juntos.
Para Dewey, a participação da comunidade na escola é no sentido da colaboração e da cooperação para executar ações, e não pressupõe a co-responsabilidade e a co-gestão, defendida por Paulo Freire.
PAULO FREIRE: A EDUCAÇÃO PROGRESSISTA E EMANCIPADORA
Para Freire, a Pedagogia deve deixar espaço para o aluno construir seu próprio conhecimento, sem se preocupar em repassar conceitos prontos.
A Educação não se reduz à técnica, “mas não se faz Educação sem ela”. Utilizar computadores na Educação “em lugar de reduzir, pode expandir a capacidade crítica e criativa de nossos meninos e meninas. Depende de quem o usa a favor de quê e de quem e para quê”. O homem concreto deve se instrumentar com os recursos da Ciência e da tecnologia para melhor lutar “pela causa de sua humanização e de sua libertação” (Freire, 1995: 98,1979: 22).
Papert se distancia de Freire no grau de relevância que cada um atribui à escola tal como ela está hoje. Para Papert, as mudanças educacionais estão ocorrendo, embora a escola enquanto instituição não as tenha assumido. Contudo, ele admite que esta crítica não coopera e nem orienta as possíveis mudanças educacionais que poderiam ocorrer. A transformação da escola torna-se possível quando se procura entender o movimento que ocorre no seu interior, quando se busca compreendê-la como um organismo em desenvolvimento.
Material avaliado.
ResponderExcluirProf. Joas M Santos