sexta-feira, 30 de setembro de 2011

LIVRO: O COMPUTADOR NA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO


Organizado em 1999, pelo Prof. Dr. José Armando Valente, o livro "O Computador na Sociedade do Conhecimento", é produto de um trabalho coletivo dos pesquisadores do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (Nied) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Reunindo um conjunto de artigos de cunho teórico, cujo foco é o papel que a escola pode ter na preparação dos estudantes para as mudanças do mundo contemporâneo, esta publicação fundamenta as ações de formação de educadores na área de Informática na Educação e contextualiza a abordagem pedagógica que o Nied tem incentivado, de introdução do computador nas atividades de sala de aula.
A mudança é a tônica de todos os capítulos deste livro. A proposta de utilização da informática para o processamento da informação e a construção de conhecimento dá origem a novas propostas pedagógicas, nas quais a compreensão da indissociabilidade entre ensino e contexto cultural promove a interação da escola com as demais instituições sociais, produzindo transformações em todos os segmentos.
De acordo com o autor a formação de professores na área de informática na educação, vem acontecendo desde 1983, quando foram iniciadas as primeiras experiências de uso do computador nessa área. Ao longo de todo esse tempo a formação dos professores é baseada em diversas necessidades de formação de profissionais qualificados, pelas limitações técnicas e financeiras, pelo nível de conhecimento que os pesquisadores dispõem e pelo interesse desses pesquisadores em elaborar e estudar novas metodologias de formação.

Atualmente a sociedade passa por grandes mudanças, exigindo cidadãos críticos, criativos, reflexivos,
com capacidade de aprender a aprender, de trabalhar em grupo, de se conhecer como indivíduo e
como membro participante de uma sociedade que busca o seu próprio desenvolvimento, bem como o
de sua comunidade. Cabe à Educação formar este profissional. Por essa razão, a Educação não pode
mais restringir-se ao conjunto de instruções que o professor transmite a um aluno passivo, mas deve
enfatizar a construção do conhecimento pelo aluno e o desenvolvimento de novas competências necessárias
para sobreviver na sociedade atual.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011


Informática e Formação de Professores


O Livro da autora Elizabeth Bianconcini, apresenta uma análise relacionada às atividades de formação do professor em diferentes instituições. Apresenta ainda as diretrizes de uma teoria norteadora que possa orientar a formação de professores para o uso pedagógico do computador em quaisquer modalidades, seja nas escolas ou nas universidades.
Podemos destacar uma frase de Paulo Freire citada no livro que afirma a necessidade de sermos homens e mulheres de nosso tempo que empregam todos os recursos disponíveis para dar o grande salto que nossa Educação exige. Com a evolução da tecnologia e a mudança constante da sociedade, se faz necessário se ter criatividade, independência e sempre buscar se situar a realidade, diante das mudanças constantes.
O espaço educacional precisa ser visto de uma forma mais ampla, mais inovadora, e pra isso se faz necessário inserir essas novas tecnologias dentro desse espaço para situar seus alunos nesse mundo de constante evolução. No entanto esta ainda é uma questão a ser muito discutida, por envolver diversos fatores que são essenciais para a sua existência de fato na realidade.
A inserção da tecnologia nas escolas, além da estrutura e de equipamentos adequados, exige também a existência de profissionais capacitados, para orientar e ajudar seus alunos a utilizá-las de forma correta. Esta é uma dentre muitas dificuldades encontradas atualmente, pois nem mesmo o ensino básico possui as condições essenciais para que o ensino se realize na sua forma plena, além de muitas crianças não freqüentarem as escolas por terem uma vida muito humilde e simples tendo assim que trabalhar desde cedo para ajudar a sustentar sua família. E tudo isso vem acompanhado com a resistência de muitos professores, habituados a seus costumes antiquados e sem inovações, com o intuito apenas de repassar informações para o aluno, apenas acumular conhecimentos, sem uma visão crítica e inovadora.
A tecnologia não é tudo, ela não é simplesmente a solução para todos os problemas, deve-se também inovar nas formas de ensinar, e a tecnologia pode auxiliar essa mediação entre aluno-professor, proporcionando formas diferentes no modo de ensino para facilitar a aprendizagem e compreensão daquilo que se propõem em sala de aula, buscando uma visão mais além, bem como aplicações e transformações inovadoras deste aprendizado no mundo ao qual se este inserido, a fim de desenvolver o ensino em diferentes áreas do conhecimento através dos computadores.
Hoje o computador está acessível à maioria da população, mesmo quem não tem um em casa possui alternativas para se ter acesso a um computador como as Lan Houses, por exemplo, mais ainda assim o impacto das mudanças que poderia provocar ainda não aconteceu, suas aplicações para fins mais construtivos ainda se faz em pequena escala, seus recursos grandiosos e transformadores, por muitos ainda não foram descobertos, pois são utilizados muitas vezes para práticas de atos ilícitos, ou simplesmente para uma utilidade fútil. Este deve ser o papel do professor, não simplesmente expor informações, mais ensinar a forma correta de lidar com elas, inserir seus alunos as novas e tecnologias mostrando a forma correta e inteligente de utilizá-las, ajudando a transformar o indivíduo em um ser pensante, inovador, criativo e independente.
O processo ensino-aprendizagem precisar ser modificado deve-se enfatizar a aprendizagem ainda mais que o ensino, valorizar e proporcionar a construção do conhecimento e não a instrução. Mas este é um processo que não é fácil, a informática não deve ser simplesmente uma junção com a educação, mas sim a integração entre si e à prática pedagógica, uma mudança não só do professor mais do planejamento pedagógico da escola, bem como a mudança de pensamentos e diretrizes, favorecendo a formação de cidadãos mais críticos e independentes para a construção de seu próprio conhecimento, atingindo diretamente as mudanças de pensamentos e atitudes, construindo uma sociedade mais justa e com qualidade de vida. Para Paulo Freire, a pedagogia deve deixar espaço para o aluno construir seu próprio conhecimento, diferentemente do que há muito tempo se tem como prática, de apenas repassar conteúdos e conceitos já prontos.
A autora apresenta no livro diversas opiniões de diferentes estudiosos que acreditam ser preciso mudar radicalmente a atual modelagem da educação de tal forma que esta permita ao indivíduo compreender o mundo em que se encontra, juntamente com suas mudanças participando da transformação cultural contemporânea. Cada um desses estudiosos possui sua própria teoria, acompanhada de propostas solucionadoras que se interconectam, e cujo foco varia de acordo com a especialidade de cada um.
A utilização pedagógica do computador possibilita diversas alterações significativas na educação, proporcionando uma ampliação da visão educacional fazendo com que o ensino tenha uma dimensão muito maior, trazendo uma visão mais crítica e ampla do mundo ao qual se está inserido.
O desenvolvimento do trabalho da autora refere-se à segunda linha sobre o uso da informática em Educação, o construcionismo, que tem o objetivo de desenvolver o ensino pela informática. A primeira linha é a instrucionista, onde a aplicação pedagógica do computador foi planejada para ser utilizada como maquina de ensinar, aplicando o conceito de instrução programada, sem a associação das atividades computacionais as demais disciplinas. Esta primeira linha está preocupada em saber o quanto o aluno tem de conhecimento, sem se preocupar em desenvolver um pensamento crítico, onde o aluno tem suas próprias opiniões, procura-se avaliar na verdade o volume de informações que o aluno tem depositado em mente.
Já na abordagem construcionista, o computador é utilizado como uma ferramenta que auxilia o aluno na busca de informações redes de comunicação a distancia, seu conhecimento e seu interesse momentâneo.
Diferente do instrucionismo, que possui programas que avaliam a quantidade de informações que aluno possui em mente, o construcionismo tem informações que podem ser trabalhadas no desenvolvimento de programas elaborados em linguagem de programação, levando o aluno a refletir sobre o conhecimento que está sendo representado nos programas, “ensinando” ao computador a resolver o problema através de linhas de comando, descrevendo as operações necessárias. Sendo assim é o aluno que indica ao computador as operações que devem ser executadas para produzir as respostas desejadas.
Essa busca pela transformação na educação não é simplesmente o desejo de inserir a informática no plano pedagógico, mais sim uma mudança das práticas educacionais existentes, favorecendo a formação de cidadãos mais críticos, com autonomia para construir o próprio conhecimento.
Esta linha construcionista proporciona um ciclo de descrição-execução-refexão-depuração. Onde programar computadores significa descrever uma seqüência de ações para que o computador possa executar e fornecer uma resposta, que pode ser o esperado ou pode não corresponder ao esperado, onde neste caso há necessidade de se rever todo o processo de representação do problema. Isso promove o desenvolvimento de reflexões que procuram compreender as estratégias adotadas, os conceitos envolvidos, os erros cometidos e as formas possíveis de corrigi-los – o que leva o aluno a depurar o seu programa, e inserir-lhe novos conceitos ou estratégias. Após realizar as alterações na descrição do programa, ele é novamente executado e o ciclo se repete até atingir um resultado satisfatório.
Para que esse ciclo se processe, o professor precisa compreender a representação da solução do problema adotada pelo aluno. Assim, o professor ajuda-o a tomar consciência de suas dificuldades e a superá-las.
Este ciclo pode ser aplicado não só na programação de computadores, mais em sala de aula, onde o professor procura identificar o grau de compreensão dos alunos sobre os conceitos em estudo, propõe alterações nas ações inadequadas, cria situações mais propícias para o nível de seus alunos de modo a desafiá-los a atingir um novo patamar de desenvolvimento.
A autora do livro descreve em partes as propostas de alguns pesquisadores especialistas sobre o assunto.
AS BASES DA PROPOSTA DE PAPERT
Ao articular conceitos da inteligência artificial com a teoria Piagetiana, Papert propôs inicialmente uma metodologia, ou “filosofia”, e uma linguagem de programação Logo, que constituíram a abordagem construcionista.
O uso de computadores segundo os princípios construcionistas foi proposto por Seymour Papert (1985, 1994) com base nas idéias de diferentes pensadores contemporâneos – idéias que se interrelacionam, em um diálogo que as incorpora a um processo de descriçãoexecução-reflexão-depuração. Assim, Dewey, Freire, Piaget e Vygotsky se constituem nos principais inspiradores do pensamento de Papert (1994).
DEWEY: O MÉTODO POR DESCOBERTA
Dewey considerou a aquisição do saber como fruto da reconstrução da atividade humana a partir de um processo de reflexão sobre a experiência, continuamente repensada ou reconstruída. Toda experiência em desenvolvimento faz uso de experiências passadas e influi nas experiências futuras (Dewey, 1979: 17, 26).
Para Dewey, toda experiência humana é social e decorre de interações, onde estão envolvidas condições externas ou objetivas, e condições internas. A interação é decorrente do equilíbrio entre esses dois fatores. O professor precisa identificar situações que conduzam ao desenvolvimento.
A etapa de aplicação do método empírico denominada por Dewey de testagem evolui e assume em Papert a função de feedback, que permite ao aluno, obter uma noção de seu processo de desenvolvimento e não a sentença definitiva e final de avaliação para uma resposta certa ou errada.
O professor precisa conhecer os interesses, necessidades, capacidades e experiências anteriores dos alunos para propor planos cuja concepção resulte de um trabalho cooperativo realizado por todos os envolvidos no processo de aprendizagem. O desenvolvimento resulta de uma ação em parceria, onde alunos e professores aprendem juntos.
Para Dewey, a participação da comunidade na escola é no sentido da colaboração e da cooperação para executar ações, e não pressupõe a co-responsabilidade e a co-gestão, defendida por Paulo Freire.
PAULO FREIRE: A EDUCAÇÃO PROGRESSISTA E EMANCIPADORA
Para Freire, a Pedagogia deve deixar espaço para o aluno construir seu próprio conhecimento, sem se preocupar em repassar conceitos prontos.
A Educação não se reduz à técnica, “mas não se faz Educação sem ela”. Utilizar computadores na Educação “em lugar de reduzir, pode expandir a capacidade crítica e criativa de nossos meninos e meninas. Depende de quem o usa a favor de quê e de quem e para quê”. O homem concreto deve se instrumentar com os recursos da Ciência e da tecnologia para melhor lutar “pela causa de sua humanização e de sua libertação” (Freire, 1995: 98,1979: 22).
Papert se distancia de Freire no grau de relevância que cada um atribui à escola tal como ela está hoje. Para Papert, as mudanças educacionais estão ocorrendo, embora a escola enquanto instituição não as tenha assumido. Contudo, ele admite que esta crítica não coopera e nem orienta as possíveis mudanças educacionais que poderiam ocorrer. A transformação da escola torna-se possível quando se procura entender o movimento que ocorre no seu interior, quando se busca compreendê-la como um organismo em desenvolvimento.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011